segunda-feira, agosto 17, 2009

Aconteceu no Verão

Aconteceu antes de ir de férias.

Tocou-me de mal modo que não posso deixar passar em branco.

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Aconteceu neste Verão,

Quando não esperava,

Que me fez descer ao chão.

No fim de um dia de Julho,

Meus pés batiam as pedras da calçada,

Da minha mãe, dos meus filhos a avó,

Quando vejo uma criatura desamparada,

Caída, esvoaçando no meio do pó.

Os passos atrasados, esquecem o tempo.

Desço da minha altura.

Alcanço a delicada criatura.

Perscruto-a por um momento.

A vontade de viver ainda dura.

Uma pata partida e formigas frenéticas

É a razão do tormento.

Com raiva delicada afasto os vis oportunistas

Sacudindo-os, com desprezo, para o chão.

Acalmando o sofrimento que jazia

Na palma da minha mão.

O resto do caminho foi ligeiro

Pois uma sede havia que sanar.

Já não era o tempo que corria,

Era uma viva para salvar.

Improvisado um ninho de papel e meia rota.

Tão esgotado que estava,

Recuperava forças entre cada gota.

Qualquer alimento foi recusado,

Tal o sofrimento que agonizava.

Só água desesperadamente sorvia,

Só água o acalmava.

Meus filhos suplicavam que o salvasse.

A minha impotência argumentei.

Percebiam mas não entendiam

Por a Natureza ter tão maldita lei.

No parco ninho de papel,

O que outrora fora uma promessa de pardal,

Agora era um ser questionando,

O sofrimento, o seu grande mal.

Meus filhos perguntavam desassossegados,

Se partia, se ficava.

Do quadro negro, de claro o pintava

Mas não percebi se meus filhos protegia,

Ou se deliberadamente me enganava.

O corpo frágil hiperventilava,

Para de repente, acalmar.

“Pai! Olha!?..”

Num esforço evidente,

A cabeça consegue levantar,

Para meus olhos, olhar directamente.

Três segundos de cabeça erguida.

Não sei se questionava a luta pelo Mundo que o recusou,

Ou quis agradecer-me uma morte serena.

Três segundos de cabeça erguida,

Para logo a seguir a voltar a deitar,

E o frágil corpo,

Torturado,

Esgotado,

Desistiu de lutar.

Dei meia hora da minha vida sem tempo,

Por esta falsa Glória!

Por três segundos…

…que não me vão sair da memória.

15 comentários:

  1. Lixado deve ser explicar isso aos filhotes, não?

    Um abraço.

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  2. olá!

    :'( que triste...

    xoxo

    p.s: obrigada pela visita lá no meu cantinho. queria-te adicionar nos favoritos, mas não tens isso activado, ou sou eu que estou a ver mal? :S

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  3. Korrosiva... e a mim também.
    Mas aprendi algo com isto.

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  4. Pinkk Candy.
    Não! Eu é que sou parvo!
    Como uso o google reader nunca me lembro do outros.
    Já está! :D

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  5. Olá moço...Em tempos, nem há muito, decerto, um passarito entrou pla varanda, não contava com meu ão ão enorme que o perseguiu...quis ir para a rua, viu a janela aberta, mas, bateu de cabeça na janela fechada... caiu redondo no chão, apanhei-o antes do shaka...peguei nele, pedi por ele, mergulhei a cabecinha na água, ficou zonzo, fechei-me no quarto, ajoelhei, pousei.o na minha cama, soprei-lhe ar devagarinho, ele já estava de cabeça de lado, quase, quase, e depois? depois, ergueu a cabeça, cambaleou, olhou-me, e zás, sai num voo razante até à porta de saída...apanho-o sem custo, despeço-me dele, com um jinho na cabecinha linda, agradeço a força que lhe deram, e, atirei-o para uma árvore próxima, voou, voou, ficou ali no relvado, talvez á espera da mãe, pai, o que fosse..e dali a nada, elevou-se no ar e juntou-se à turma da pesada, 'plos vistos já deve estra habituado a levar cabeçadas daquele calibre... e fotografei-o, está no blogue postado, na palma d amão do meu manel..enfim, foi pena que ot eu amiguinho se fosse, ams, a cad aum seu momento..Beijinho a ti..laura

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  6. Laura!
    Esse é um final feliz!
    Se puderes, manda-me o link do post com essa foto.
    :)

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  7. Coitado do pardalito! E também de ti e dos filhotes, que não puderam fazer nada para o salvar...

    A vida (ou melhor dizendo, a morte!) é muito injusta!

    Vindo aqui pela primeira vez, reparei que tens uma certa facilidade em contar histórias em verso, o que tem a sua piada. Não especificamente neste caso, mas noutros! Acho que vou ficar atenta... :)

    Beijinhos!

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  8. TéTé.
    És smpre bem vinda. :)
    A intensão deste blog não é propriamente mostar versos,poemas e afins. Basta dares um espreitadela nos posts anterirres ou veres um dos videos que fiz para perceberes que me viro mais para o armar-me em parvo. :D

    Espero por isso não te desiludir. :)

    Obrigado.

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  9. Oi Eduardo! Amei, amei e amei e amei e amo mais ainda essa terra que também é minha....rs

    Amei saber que vc ama os animais e que parou, que se doou, que não fez o faz de conta que não viu. Bom saber que vc se importa, se comove. Aliás, Portugal tem grandes e boas ONGs que protegem os animais e desenvolvem um trabalho muito legal.
    Em uma das vezes que estive em Portugal conversei longamente com um amigo que também é ativista na Europa.

    Sua poesia linda e se todos dessem um pouco do seu tempo para outra vida que sofre, seríamos menos sofredores e mais felizes.

    beijo grande

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  10. Ainda bem que gostaste Cris.

    :)

    Vou ficar atendo ao que escreves.
    Não é porque tens no blog uma fotos tuas e dá para ver que és mesmo muito bonita... ( porque fui dizer isto? Sou mesmo parvo. )... é porque TAMBÉM vi que és capaz de ter coisas muito interessantes para dizer. ;)

    Obrigado. Volta sempre e aproveita para veres as outras palermices que tenho no blog.
    Esforço-me para fazer os outros rir.
    A sério!
    Não parece, mas esforço-me. :)

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  11. hello!

    já está onde o_o
    ???
    eu não vejo os followers?!

    xoxo

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  12. Pinkk Candy??
    Então? Está lá! não vês?
    ... coloquei-o à bastante tempo... algum tempo... mais ou menos... errr... agorinha mesmo.
    Pensei que perguntavas pelo RSS. :P
    Desculpa a minha INGUEnorÂncia!

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  13. Eduardo.
    Não havia lido o seu poema.
    Sou sensivel demasiado a tudo quanto é natureza.
    Lindo, e trite porém verdadeiro.. destaco esta frase que me muito me tocou!

    Por três segundos…

    …que não me vão sair da memória.

    Bem-haja.
    Abraço...
    Gazela.

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