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quarta-feira, fevereiro 15, 2017

O amor existe

O amor existe naquela palavra estrangulada que ecoa no vazio.
O amor existe naquela imagem que nos aquece quando está frio.

ER 2017

quinta-feira, março 07, 2013

Sorte

Gelam-se as mãos
Mas não meu peito.
Adormece-se meu corpo
Mas não meu leito.
Sou feliz como mereço
nesta vida do “vamos indo”.
Já só quero e nunca peço,
Queixo levantado.
Vivo sorrindo.

Realizei em tempo de calma,
O tempo que fiz com cuidado.
Guardo o melhor na alma,
E o pior em outro lado.

Mais dias virão.
Algo está para mudar.

Uma nova canção,
Que me fará cantarolar.

Porque desafino,
Posso não cumprir.
Mas alegre será,
Fazer todos sorrir.

Não espero!
Fartei-me do tempo a fugir.
Também não me revolto,
Ainda não estou a cair.

Não estou sentado,
Com medo de ficar demente.
Estou de pé
Embora com alma dormente.

Calem-se as bocas
Fechem-se as miragens.
Não são as vozes roucas
Que me ditarão as margens.

De olhos abertos.
De ouvidos bem tapados.
Ciente que fui e que ainda sou.
Estou pronto de punhos fechados
Para enfrentar a sorte que me tocou.

sexta-feira, janeiro 11, 2013

… morreu…

Já tinha avisado.
Já nos tinha dado sinais.
Descuramos.
Não ligamos.
Não era nada demais.
Mas o dia chegou.
E para sempre se apagou.
Estava sempre ali sempre à mão!
Talvez sinta alguma culpa,
Mas faz de mim culpado?
Não!

Com ele não privei tanto como outros.
Se privasse, punham-me rol dos loucos.
Morreu!
Numa nuvem de fumo,
Sem nunca mudar de rumo.
Morreu!
Quem nos aquecia o corpo,
Com a sua presença.
Morreu e está morto.
Executada a sentença.
Morreu,
O sempre pronto,
Quem nunca se queixou.
Morreu,
Porque o tempo fez o tempo.
Morreu!
Porque se cansou!
Morreu somente,
Sem apelo.
Morreu,
O nosso fiel
Querido…
… secador de cabelo.

ER 11-01-2013

sábado, dezembro 24, 2011

Foi 2011

New-Years-2011-Beach2

Foi o o ano de 2011

Que passou e marcou a história.

Mudamos de políticos,

Mas não de poltítica.

Mudamos de criticos,

Mas não de critica.

Mudamos de nosso primeiro,

Ficamos sem dinheiro.

No desemprego pertenci ao esmo.

Labutei 6 meses e voltei ao mesmo.

Fiz coisas bonitas,

Coisas catitas.

Fiz novas amizades,

Algumas insanidades.

Ri como uma bandeiras despregada.

Ri por tudo e por nada.

Chorei nada por tudo.

Gritei ficando mudo.

Fiz o que amo,

Passei por insano.

Cresci como nunca pensei.

Fortaleci o que sempre amei.

Deixei-me surprender

Sem saber.

Encantei-me porque sim.

Porque a beleza é assim! =)

Como um relâmpago fui atingido,

Pela felicidade do perigo. =)

Maravilhas dos dedos surgiu,

Mas muita merda também caiu.

Esforcei e apertei,

Todos os parafusos que sei.

Fiz de todos os sinais menos,

Em positivos serenos.

 

Foi o ano de 2011.

Não me arrependo de nada.

Venha o 2012,

Tenho o coração, a alma e a caneta preparada.

 

Boas festas para todos!

sexta-feira, abril 09, 2010

41 anos.

Hoje faço 41 anos.

Levanto-me.

Dói-me as costas.

Tenho dificuldade para me vestir,

Escolher uns trapos e uns panos.

Nada me serve.

De costas a latejar.

Vou à casa de banho.

Tenho dificuldade em me orientar.

Num sufoco breve,

Baba e ranho

Começo a chorar.

Hoje completo 41 anos.

O primeiro dia a caminho da morte.

Como posso evitar a decadência?

Fugir à sorte?

Banho a cara com água fria.

Apoio-me no lavatório.

Tento me concentrar.

Olho o pingo que me cai do nariz.

Penso na minha vida.

Naquilo que ainda não fiz.

Alguém me chama.

O filho mais novo,

Dinossauro, descalço e pijama.

“PAI! Dormiste em cima do meu brinquedo!”

“PAI? Porque tens a roupa da mãe vestida?”

“PAI?? Porque estás lavar a cara na cozinha?”

“Parabéns , pai!”

…

Hoje completo 41 anos…. e estou cheio de sono!

Não é aos 41 anos que a velhice começa.

Pois a velhice só está na cabeça.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Bodas de Estanho Zinco

Arcadia mix posy bouque2t

Eu e minha esposa,

Fazemos 10 anos de casados.

10 anos de vida,

Muito bem passados.

Houve dias menos bons,

Houve dias porreiros.

Houve dias sem sons,

Houve dias soalheiros.

Vivendo lado a lado,

Correndo riscos escusados,

Mesmo vivendo de costas...

No fundo...

Sempre nos sentimos amados.

Sacrifícios, foram feitos.

Decisões a contra gosto tomadas.

Mas um bem maior urgia:

Não se permitia;

Morrer

O amor, a tesão, as bocas caladas.

Por vezes sou duro demais

por me preocupar

E querer muito bem.

Outras vezes desleixado,

Como se estando a borrifar

E esquecer que vivo com alguém.

Por vezes muito picuinhas,

Outras vezes deixo de lado.

Muitas vezes confuso,

Mesmo atordoado.

Não sou um herói,

E cometo erros que me custa a assumir

Por vezes dói

A vergonha me corrói

E assumo a culpa mesmo a sorrir.

Sou meio palhaço,

E outras vezes grosseiro,

Mas tudo tendo

Para ser um marido porreiro.

Sou amigo da minha meia laranja,

Faço de tudo por ela,

Como se de mim tratasse,

Como uma obra-prima na tela.

Foram 10 anos loucos,

Cheio de tropelias.

Fomos amantes suados,

Cheio de stress e correrias.

Foram 10 anos cheios de ternura,

Cheios e amor e gritarias.

Foram 10 anos casados.

 

E por mais 10 já tenho saudade.

Porque meu amor por ti...

Não tem prazo de validade.

segunda-feira, agosto 17, 2009

Aconteceu no Verão

Aconteceu antes de ir de férias.

Tocou-me de mal modo que não posso deixar passar em branco.

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Aconteceu neste Verão,

Quando não esperava,

Que me fez descer ao chão.

No fim de um dia de Julho,

Meus pés batiam as pedras da calçada,

Da minha mãe, dos meus filhos a avó,

Quando vejo uma criatura desamparada,

Caída, esvoaçando no meio do pó.

Os passos atrasados, esquecem o tempo.

Desço da minha altura.

Alcanço a delicada criatura.

Perscruto-a por um momento.

A vontade de viver ainda dura.

Uma pata partida e formigas frenéticas

É a razão do tormento.

Com raiva delicada afasto os vis oportunistas

Sacudindo-os, com desprezo, para o chão.

Acalmando o sofrimento que jazia

Na palma da minha mão.

O resto do caminho foi ligeiro

Pois uma sede havia que sanar.

Já não era o tempo que corria,

Era uma viva para salvar.

Improvisado um ninho de papel e meia rota.

Tão esgotado que estava,

Recuperava forças entre cada gota.

Qualquer alimento foi recusado,

Tal o sofrimento que agonizava.

Só água desesperadamente sorvia,

Só água o acalmava.

Meus filhos suplicavam que o salvasse.

A minha impotência argumentei.

Percebiam mas não entendiam

Por a Natureza ter tão maldita lei.

No parco ninho de papel,

O que outrora fora uma promessa de pardal,

Agora era um ser questionando,

O sofrimento, o seu grande mal.

Meus filhos perguntavam desassossegados,

Se partia, se ficava.

Do quadro negro, de claro o pintava

Mas não percebi se meus filhos protegia,

Ou se deliberadamente me enganava.

O corpo frágil hiperventilava,

Para de repente, acalmar.

“Pai! Olha!?..”

Num esforço evidente,

A cabeça consegue levantar,

Para meus olhos, olhar directamente.

Três segundos de cabeça erguida.

Não sei se questionava a luta pelo Mundo que o recusou,

Ou quis agradecer-me uma morte serena.

Três segundos de cabeça erguida,

Para logo a seguir a voltar a deitar,

E o frágil corpo,

Torturado,

Esgotado,

Desistiu de lutar.

Dei meia hora da minha vida sem tempo,

Por esta falsa Glória!

Por três segundos…

…que não me vão sair da memória.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Sofrevivemos

Neste País onde vivemos
Anda tudo trocado.
Vamos do sério que rouba
Até ao ladrão que é roubado.

Batem no Professor como der jeito,
Onde já se viu impor o respeito?
Mas protegem estúpido puto calão,
Pois é o futuro da nação.

Criticam o polícia e cospem-lhe na figura.
Porque cumprir a lei é uma ideia escura.
Meliantes ficam livres e processos pelo cano,
Pois não se prende um emigrante Africano.

Velhos sem orgulho com reforma de miséria,
Vivendo numa casa caindo de podre.
Calões oportunistas de que vivem da léria,
Com rendimento mínimo, pois é um emigrante pobre.

Ficam sem bens os que não pagaram do pouco.
Ficam sem dinheiro pela manutenção do banco.
Mas há quem faça desfalques
E à prisão não dão troco,
Pois no tribunal pintam o mais preto de branco.

O pobre que tem um azar na vida quando menos esperava,
Todos têm pena e encolhem os ombros.
Outros, quando perdem algum, enquanto dinheiro lavava,
De quem descontam, cai dinheiro aos tombos.

O certo é errado.
O errado está certo.
O que devia estar para cima,
Está a fazer o pino.
Já não sei para que lado ir!
Não sei se devo descer
para chegar ao cimo.

É isto que queremos?
É isto que pretendemos?
Deixar comer sem comermos?
Onde está Justiça?
Porque ainda cá estamos?
Porque temos preguiça?
Porque não termos tempo
Para reparar
Que temos as vistas tapadas?

O desespero é tanto,
A vontade de revolta é colossal,
Que já há quem queira o bem pelo mal.
Que já há tenha esquecido o azar.
Há quem queira de volta Salazar.

Calem os Freeports.
Calem os ricos gulosos.
Por favor! Sacudam a caspa de cima.
Levantem-se e tenham brio.
Quero sentir calor quando vou à rua.
Ajudem-me!
Estou farto de sentir frio.

sexta-feira, junho 08, 2007

100 tempo



Ando sem tempo
Ando sem momento
Ando num aceleramento
Quase que rebento.

Sem tempo para tudo.
Sem tempo para nada.
Não falo, fico mudo,
Estou sem tempo para explicar
Por sem tempo só fiz cagada.

Sem tempo para o amor.
Sem tempo para o bem-estar.
Sem tempo para sorrir,
Quanto mais gargalhar.

Sem tempo para a diversão.
Sem tempo para a palhaçada.
Sem tempo para pensar.
Sem tempo para a amada!

Sem tempo para o “blog”.
Que está escuro cheio de “smog”
Sem tempo para mim.
Sem tempo para de onde vim.

Invento tempo onde não existe.
Sem tempo, fico triste.

Olha à volta e vejo
Que o tempo não basta.
Todos nós sofremos sem pejo,
Como o tempo se gasta.

Será que sempre sem tempo temos que viver?
A dúvida fica se não teremos tempo para morrer.

domingo, maio 06, 2007

Mãe.

Isto não é para todas as mães.
Isto não é para todas as mulheres.
É só para ti que nosso coração tens.
A base do teu lar sem saberes.

Hoje é teu dia,
Como se algo fosse.
Por mim todo ano seria,
E não por uma razão comercial que trouxe.

Estás sempre presente,
Para por a mão por baixo.
Se não fazes mais,
É por falta de tempo,
E nunca por relaxo.

Mesmo a vida tendo altos e baixos.
Estão presentes sempre 3 sorrisos
Fazendo o melhor que sabem,
Mesmo sendo trabalhos imprecisos
É do fundo do coração que saíem.

Para a rainha da lar,
Para a senhora da bela hora,
Para quem vivemos para amar,
Um grande beijo
De cada um
Dos homens da casa
Que te Adora.

Para todas as mães
Que julgam não o serem.
Lembrem-se que até os cães
Pelos filhos
São capaz de morrerem.

Ser mãe.
É um bem
Que um homem não imagina.

Ser mãe.
É alguém
Que é a base que fica por cima.

Ser mãe.
É dor.
É esperança.
É o amor
De uma criança.

quarta-feira, março 21, 2007

Dia da Poesia

... certo dia escrevi.
Poesia
________________
A poesia sai da entranha.
Vomita-se um doce acidulado.
Brisa que na cara se apanha.
Um tombo de um pé trocado.
Um gesto perdido no nada.
Um vento. Uma rabanada.
Um movimento perpétuo.
Carícia feita por uma rajada.
Uma folha que teima não cair.
Uma flor que teima em abrir.
Uma queda depois de subir.
Um sol. Uma criança a sorrir.
A Poesia somos nós,
Quando estamos sós.
A Poesia é um estranho,
No meio de um rebanho.
É o rasgar de um cortina.
É o fechar de uma janela.
Navegar dentro de uma tina.
Lanterna dentro de uma estrela.
A Poesia é o tudo.
O brincar com a coisa séria.
Um revolucionário mudo.
O ouro no meio da miséria.
ER 21-11-2006
________________
Feliz Primavera!!!

quinta-feira, março 01, 2007

Rimas

Ando aqui às voltas com as rimas.
Doí-me a cabeça e ando meio à toa.
Procuro portas, frestas, pinas.
Uma coisa que a alma não roa.

Mas que porra! Falta de musa.
Até o estômago está embrulhado.
Será porque estou sem tusa?
Será que o iogurte estava estragado?

Rimo o Saborosa com o Gomes,
Rimo a Carolina com a Raposo.
Rimo calhau com pedra pomes,
Rimo o prazer com o gozo.

Uma varanda batida pelo Sol.
Um vento que deixou de correr.
Sinto-me desfalecer, inerte, mole.
Como quem está prestes a morrer.

A cabeça doí-me.
O corpo está a gritar.
A alma treme,
Pede para a masturbar.

Espremo o cérebro,
E nem pinga saí.
Grita por sonhos,
Sem dizer um aí!

O coração bate lento.
Mas não pára.
Espera por um momento.
Coisa rara.

Formigueiro na ponta dos dedos.
Um dormência na língua.
Acabaram-se os medos.
Ficou o espírito à mingua.

Ando às voltas com as rimas.
Tenho mais baixos que cimas.
Tenho mais rabos que crinas.
Sorte! Comigo não opinas.

O excremento rola no chão.
E não consigo me desviar.
Dou-lhe sempre um encontrão
Quando não estou a olhar.

Ser inteligente,
Ao ponto da estupidez.
Um língua dormente,
Dos poucos sims e dos talvez.

Ando com a rimas às voltas.
Ando com as voltas rimadas.
Ando cheio de pontas soltas.
Para o lado das caras viradas.

Cinco números para ser infeliz.
Mais duas estrelas para o inferno.
Vivo uma vida onde sou aprendiz.
Numa estação que é sempre Inverno.

Ando com a rimas embrulhadas.
Ando sem sair do lugar.
A lado nenhum são as chegadas.
Onde as partidas estão por marcar.

Já não rimo,
Suprimo.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Aborto demagogo

Já estou farto desta história do aborto,

Que me cheira a demagogia.

Já estou farto de leis em saco roto.

Quando uma decisão servia.


Fala-se da mulher com abjecto,

Falando de vida com tanto afecto.


Cansa-me gente que vive em campanha.

Cansa-me gente que vive sempre do contra.

Cansa-me gente que faz política com manha.

Casa-me gente que vive sempre da montra.


De que se fala então?

Despenalização?

Legalização?

Discriminação?


… não se fala do que vai no coração!


Da mãe que tem idade de ser filha.

Do outro que não mantém aquilo na braguilha.


Do estupro e do filho-da-puta

Que ainda gaba, baba e ri na rua.

Do pai bêbado de mente bruta,

Que da filha tomou por mulher sua.


Que lei foi alterada?

Que referendo está na calha?


Palavras que não passam de ventos,

Que assopram folhas ao calha.


sexta-feira, janeiro 19, 2007

Não há tempo

Não há tempo para viver.
Não há tempo para escrever.

Não há tempo para ter tempo.
Nem para beber quando sedento.

Não há tempo para o jornal
E ver o que no mundo está de mal.

Não há tempo, um bocado que seja.
Nem no tempo que nos sobeja.

Não há tempo para comer.
Pois o tempo passa a correr.

Não há tempo para nada.
Mas há sempre tempo para fazermos cagada.

Não há tempo para o amor.
Nem tempo para se ficar no pódio.

"Não há tempo"
É uma desculpa estúpida e sem pudor…
… Pois arranja-se sempre tempo para o ódio.

Não há tempo para viver…
… mas é melhor por ter tempo, se fazer…
… amanhã pode ser tempo de morrer.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

O meu Tio António

Do meu Tio alfaiate

Fica a recordação

Dos traços brancos

Nos tecido por cortar.

Das linhas soltas do alinhavo.

Da fita métrica no pescoço a decorar.


Do meu Tio pescador,

Ficou a emoção.

Das tardes perdidas sem um toque.

Esperas na pedra sem peixe e sem sorte.


Do meu Tio de Lisboa,

Fica a lembrança.

Da colecção de canários,

Em gaiolas nas paredes como armários.


Do meu Tio António

Fica a imagem

Do seu sorriso.

Das suas mãos.

Das tardes alegres

Dos debates entre irmãos.

De quem era primo ou enteado.

Por que caminho ia, vinha ou era levado.


Do meu Tio António...
Ficou a recordação
E um "até sempre" com emoção!